Metáfora da vasilha de plástico



Às vezes eu queria ser como uma vasilha de plástico.. ai como eu queria!
Queria ser assim porque seria forte por fora e bem vazia por dentro.
Ficaria feliz quando a usassem para por água. Pois a água é insipida, inodora e incolor, e tudo que eu menos preciso ultimamente é de algo que tenha gosto, cheiro e cor. Tudo que eu mais quero agora é NÃO ter algo que deixe lembranças comigo.
Uma vasilha de plástico nunca está sozinha. Sempre tem algum conteúdo dentro dela. E o melhor, de maneira provisória.
Entra um, entra outro e nada de se apegar. Só resta a técnica do desapego.
E é tão bom ser esvaziada e voltar ao meu lugarzinho no armário com a companhia de "Seu Ninguém" pra encher o saco. Não ouço niguém. Quando me fizeram trouxeram de brinde uma tampa que serve como isolador do mundo.
Desculpem, hoje eu tô assim: seca, vazia e plástica. Assim, como uma vasilha de plástico.



Carol Neves.

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